Resumo da notícia

  • Regulamentação global avança e pressiona serviços de swap

  • KYC e identidade digital devem se tornar padrão

  • Anonimato absoluto em cripto pode acabar

Desde 2013, quando o FinCEN (Financial Crimes Enforcement Network) dos EUA emitiu diretrizes definindo corretoras de criptomoedas como transmissoras de dinheiro, sujeitando-as a regras de conformidade, até a publicação da MiCa na Europa e as novas instruções Normativas do Banco Central do Brasil, o movimento de regulamentação das plataformas de criptoativos vem crescendo.

E, nessa busca por regulamentar e identificar os usuários, nem mesmo serviços de mixer ou carteiras focadas 100% em privacidade, como a Samurai Wallet, estão ilesas dos reguladores. No caso das operações de compra e venda de ativos digitais, muitos usuários recorrem aos serviços de swap on-chain como alternativa a vigilância do governo.

Porém, de acordo com plataformas de swap ouvidas pelo Cointelegraph Brasil, o anonimato absoluto em criptomoedas pode cair por terra em breve, mesmo usando criptomoedas focadas em privacidade, como Monero.

Para Vadim Taszycki, head of growth da StealthEX, a regulamentação deixou de ser uma possibilidade e passou a ser uma realidade inevitável para o setor.

Segundo ele, o mercado de criptomoedas atingiu maturidade suficiente para exigir regras formais, obrigando empresas a operar dentro de estruturas regulatórias independentemente de preferências ideológicas.

“O setor precisa monitorar práticas globais de prevenção à lavagem de dinheiro, trabalhar com provedores de liquidez regulados e manter produtos flexíveis para permanecer em conformidade”, afirma.

A visão é compartilhada pela SwapSpace, que destaca que a regulação tornou-se inevitável com a entrada de grandes instituições financeiras no setor.

De acordo com a empresa, a chegada de ETFs, bancos e companhias listadas transformou a identificação de usuários e controle de riscos em requisitos estruturais do mercado, não mais em debates conceituais.

Ao mesmo tempo, a empresa ressalta que a natureza descentralizada das criptomoedas cria desafios adicionais para reguladores. Enquanto serviços centralizados podem ser supervisionados, protocolos descentralizados são muito mais difíceis de controlar.

Por isso, o mercado vive hoje uma fase de adaptação, não de confronto entre reguladores e indústria”, afirmou o representante da SwapSpace.

KYC, identidade digital e privacidade do usuário

Um dos principais pontos de debate envolve a identificação dos usuários. As novas regras globais e locais exigem maior rastreabilidade das transações, levantando dúvidas sobre a adoção de KYC (Know Your Customer) ou soluções baseadas em identidade descentralizada com provas criptográficas, como ZK-Proofs.

Taszycki explica que as práticas variam entre países e empresas. Algumas plataformas devem adotar KYC completo como padrão, enquanto outras utilizam modelos baseados em risco.

Segundo ele, a StealthEX, por exemplo, realiza verificação de identidade apenas quando transações são sinalizadas como suspeitas, mantendo um modelo não custodial com foco em privacidade.

Ele aponta que soluções baseadas em ZK-Proofs podem ajudar a preservar dados dos usuários, mas alerta que reguladores podem exigir estruturas que, na prática, reproduzam processos tradicionais de identificação.

A SwapSpace acredita que o futuro será híbrido, combinando KYC tradicional com tecnologias que reduzam a exposição de dados pessoais. A empresa destaca que o ecossistema cripto foi criado com o objetivo de minimizar compartilhamento desnecessário de informações, o que explica o crescente interesse por soluções de identidade descentralizada.

Anonimato total tende a desaparecer

As duas empresas concordam que o anonimato absoluto se tornará cada vez mais difícil.

Taszycki afirma que ser totalmente anônimo no ambiente regulado moderno é praticamente impossível, mas ressalta que manter privacidade ainda é viável por meio de autocustódia, uso de serviços em diferentes jurisdições e infraestrutura focada em privacidade.

A SwapSpace observa que o mercado global caminha para maior identificação, especialmente nas entradas e saídas entre moedas fiduciárias e criptomoedas. No entanto, dentro do próprio ecossistema blockchain ainda existem diferentes níveis de privacidade.

A empresa destaca ainda que ativos focados em privacidade continuam atraindo interesse significativo de usuários experientes, que frequentemente priorizam proteção de dados acima de custos ou velocidade de transação.

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